quarta-feira, 21 de março de 2018

Weezer e Red Hot Chilli Peppers deveriam ter seguido o exemplo de Pelé


Pode parecer confuso, mas tenho certeza que ao final do texto você vai compreender o que eu quiz dizer nesse título. Primeiramente é preciso separar o Edson do Pelé como todos sabemos, o jogador enquanto Pelé fez tudo certo na sua carreira e talvez tenha tomado uma das atitudes mais sabias e que deveria ser imitada por todos, parar no auge.


Voltando ao mundo da música. É muito comum ver bandas se arrastando com o tempo, trocando integrantes ali, outro lá, fazendo 100 turnes de despedida e nada acabar. Não vejo problema algum em bandas darem um ponto final a sua história principalmente no auge, Led Zeppelin fez um show de reunião apenas em 2007 desde o fim da banda em 1980 após o passamento do baterista John Bohan. Embora envolta a fogueira das vaidades de Morrissey, The Smiths também colocaram a pá de cal em 1987 e nem reunião teve mais, Oasis também e claro, o maior exemplo de todos, Os Beatles!
Fiquei pensando então: Quais bandas estabelecidas  andam passando vergonha e se arrastando por aí? acho que as mais evidentes por pura coinscidência  são os californianos do Weezer e do Red Hot Chilli Pepers. Explico. 

O Weezer estourou no meio alternativo em 1994, tendo como lider e cabeça pensante da banda o "nerd" Rivers Cuomo, nos anos 90 era a pior coisa do mundo ser nerd, hoje é cool. Cuomo é formado em artes pela universidade de Harvard, o que certamente ajudou nas composições do Weezer. Quando a banda começou a ficar conhecida em 94 com o disco "The Blue album" o single"Buddy Holly" lançou o Weezer para o mundo do mainstream via MTV com o disco seguinte, o sensacional "Pinkerton" em 96. Até hoje sucesso absoluto de críticas e recepção do público.

De lá em diante foi só ladeira abaixo, o álbum seguinte "Green Album" lançado em 2001 ainda teve o hit "Insland in the sun" mas só, até hoje o Weezer vem lançando vergonha atrás de vergonha chegando ao ponto dos fãs lançaram um abaixo assinado pedindo pra banda encerrar a carreira.  Um outro grupo de fãs fez uma vaquinha on line onde pretendiam arrecadar 10 milhoes para oferecer para a banda encerrar as atividades, abre aspas:"Todo ano, Rivers Cuomo jura que ele mudou, e que o novo álbum é a melhor coisas que eles fizeram desde Pinkerton E o que acontece? Outro monte de m... como Beverly Hills ou I'm Your Daddy ."

Já o Red Hot Chilli Peppers é uma banda de estádio, extremamente querida pelo público de todos os estilos e ainda tem um dos grandes baixistas do mundo no grupo o marrento Flea. Entretanto desde o espetacular álbum " Blood, sugar  sex magik" lançado em 91 a banda travou, em 99 lançaram o apenas interessante "Californication" entretanto esse tinha a horrível música que dá nome ao disco, "By the Way" lançado em 2002 foi o último trabalho apenas regular, no mais só vergonha. 

O último disco então é uma choradeira absurda em que o vocalista Anthony Kiedis 51 narra o insucesso do seu casamento fracassado com a modelo Helena Vestergaard 19. Uma choradeira do ínicio ao fim, sem contar o baixo que entra do nada nas musicas como se fosse um episódio da série Seinfeld.

Tanto Weezer como RHCP deveriam ter seguido o exemplo de Pelé, parado no auge, todos se lembrariam de ambas as bandas como absurdas e implorariam por pelo menos um show, uma volta, uma reunião. No mais, ambas as bandas além de muitas outras seguem lançando péssimos discos, anunciando o fim e fazendo turnês de despedida tirando seu dinheiro, não seja engando. Se você é fã dessas de ambas as bandas ou de uma delas não fique bravo lembre-se mais uma vez e Pelé que na sua despedida do futebol disse nos braços do povo: 

"Love, Love, Love".
Weezer - Tired of sex
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=cu2Dsnvk6M0&w=420&h=315]
RHCP - Fight like a brave
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=doDBApOv2oM&w=420&h=315]
Pelé love, love love
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=2zM0zjRXOjE&w=420&h=315]

Saudades das fitas k7? será?

No ultimo final de semana aconteceu em São Paulo uma feira para troca, compra e venda das famigeradas fitas k7. Vi várias postagens no Facebook de gente que manja do riscado musical compartilhando as pequenas fitas, umas de grandes bandas, outras nem tanto mas todas tinham algo em comum, a péssima qualidade de áudio além de ser um saco ficar adiantando ou voltando a fita. 

Quando o assunto é esse, falo com conhecimento de causa, como passei quase toda minha infância sozinho meu maior passatempo era comprar Fita k7 de artistas desconhecidos para descobrir do que se tratava ou mesmo comprr fitas virgens para gravar direto do rádio, quando não eu gravava por cima das fitas das Enya da minha mãe. Alias manja a Enya?

Voltando as fitinhas, quantas e quantas vezes não perdi fitas que ficaram enroladas dentro do aparelho do som, ou arrebendaram no toca-fitas do carro ou ainda o ladrão de toca-fitas (extinta profissão) não roubou todo nosso arquivo musical? o pior era achar o exato ponto em que queriamos justo aquela música. Lembro de uma vez que que comprei um k7 do "Acústico MTV" dos Titãs (espero que ninguém do grupo do Garagem leia isso) e o mesmo vinha faltando metade das musicais e muitas eram cortadas no final com aquele maldito "fade out" que vai diminuindo o volume da música até seu fim. Tinha a arte da capinha que era miniscula, o nome das musicas era apertado e a maldita capinha de plástico sempre quebrava na menor queda. A única vantagem do k7 era o preço, muito mais barato que CD e LP.

Mesmo com todos esses fatores contra eu tenho muita saudade delas e um apego, explico. Não quero soar saudoso mas mesmo com a péssima qualidade, com a limitação da arte da capa, com o curto espaço, com os ladrões de toca-fitas, efim. As fitinhas faziam a gente parar qualquer coisa e simplesmente ouvir música, prestar atenção no que estava tocando, selecionar o que era bom ou ruim para fazer uma mix tape, gravar uma fita, uma música do rádio ou uma faixa de CD pra alguém.

Hoje com os serviços de streaming das mídias digitiais, a música está passando cada vez mais a ser algo supérfulo, sem valor de consumo, a maioria ouve por ouvir sem dar o devido valor. Aposto que o leitor tem alguma lembrança especial de uma música que ouvia no toca-fitas, ou de ficar esperando a aquela música que queria tocar no rádio. 

Única coisa que eu sou contra e acho sem sentido é ver bandas novas lançando algo em k7, não faz sentido algum pra essa época a única razão é pagar de cool. Diferentemente dos lançamentos em LP que fazem sentido devido a qualidade, capa e aparelhos que continuam a ser  fabricados. No mais vou aproveitar o feriado pra descobrir o que mais eu tenho gravado em casa, se você fizer o mesmo, me conte  o que encontrou nas suas fitas!

Já assistiu "O Anjo Exterminador" de Buñuel?


Imagine um banquete regado a música, comida, gente bem vestida e ao mesmo tempo fútil. As conversas tão profundas quanto um pires, o tempo vai passando, o jantar acaba, e eles decidem ficar para beber mais um vinho. O vinho Termina e eles decidem ficar um pouco mais e assim segue a trama. "O Anjo Exterminador" é um filme perturbador do ínicio ao fim, esse terror/drama psicológico tem como principal cenário uma sala de jantar de uma mansão em que os convidados por alguma razão não conseguem deixar o lugar, sempre que alguém decide ir embora outro convidado faz outro convite pra pessoa ficar ou por alguma razão psicológica simplesmente ninguém quer/consegue ir embora.


Acontece que isso dura muito mais que uma noite e com o passar dos dias os aristocratas ali presentes vão revelando o que se esconde por trás de suas mascáras. Seus intintos sexuais vão se aflorando, seus desejos mortais aparecendo, fome, sede, banheiro improvisado, tudo vai mexendo com os personagens que revelam que além de suas roupas caras e sua pose aristocratica existe um ser humano horrível tão podre como qualquer um de nós. 

Com o passar dos dias surge a crítica a igreja, em um cenário surrealista completamente influência por Pablo Picasso, Buñuel coloca cordeiros a solta na manção fazendo com que os convidados os devorem de maneira brutal. O sortilégio ainda deu nome a rua em que a trama se passa "Rua das Providências"

Conheci esse filme por acaso quando estava no terceiro ano (ou segundo? do curso de História, lembro que por alguma razão um professor comentou a respeito e além de Buñuel o que me chamou mais atenção foi o fato de estarem presos mas não entre grades e sim em uma barreira psicológica no jantar de gala. O leitor que decidir procurar a obra acredito que assim como eu vai sofrer um pouco pra encontrar, porém achar um link no "cine torrent" das interwebs não será tão impossível, demorei um pouco mas consegui.

"Anjo Exterminador" de fato extermina as falsas aparencias de damas, cavalheiros com sua falsa moral deixando a aristocrácia nua mostrando a real face que se esconde por trás de ternos e vestidos mostrando que ali tem, feiticeiras, religiosos, maniacos, doentes terminais, suícidas, pervertidos sexuais , por fim! a virtude burguesa é destruída. Buñuel exige que as verdadeiras identidades sejam reveladas ao longo da trama, é preciso muito estomago pra ver. Se você já viu ou se assistir posteriormente não esqueça de comentar, muitas vezes os comentários são melhores que os meus textos e se você deseja que eu escreva sobre algum filme é só comentar.


Link para baixar o filme com legenda: http://filmescult.com.br/o-anjo-exterminador-1962/
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=WY53StuI-7o&w=560&h=315]

A viagem de "Carlos, Eramos"



Em 1971 o mercado fonográfico brasileiro estava em pleno rebuliço com grandes nomes surgindo ou se afirmando de vez como: Ronnie Von (que acabará de deixar sua fase psicodélica), Elis Regina, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes, Chico Buarque, Raul Seixas, Tim Maia, entre tantos outros. É possível apontar dentro esses artistas verdadeiras pérolas discográficas como: “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 – Raul Seixas”, “Ela – Elis Regina”, “Construção – Chico Buarque”, “Jardim Elétrico – Os Mutantes”. 

Entretanto nenhuma dessas obras me desperta tanta atenção em suas letras e arranjos como o disco de Erasmo Carlos lançado nesse ano, o confessional e criativo “Carlos-Erasmo”.

Erasmo Esteves nasceu no Rio de Janeiro em 1941, fã confesso de Elvis Presley e rock dos anos 50, ainda adolescente imitava seu ídolo cantando os primeiros clássicos de Elvis tal qual um certo Raul. Antes de conhecer o eterno parceiro Roberto Carlos, Erasmo fez amizade com Tim Maia que foi quem o ensinou a tocar violão, logo formaram a primeira banda chamada de The Sputniks, faltava um integrante, um certo Roberto que posteriormente viria a ser o maior parceiro musical de Erasmo. 

Entretanto após uma briga épica entre Tim Maia e Roberto a banda se desfez. (Aqui vale uma nota, o jornalista Paulo Cesar Araujo relata minuciosamente esses acontecimentos na biografia “Roberto Carlos” aquelas mesma, proibida pelo rei mas que você pode encontrar pela internet.)

Após o fim dos Sputniks, e já compondo com Roberto, Erasmo começa ver sua carreira solo decolar gradativamente e para homenagear o grande amigo Roberto Carlos e o produtor Carlos Imperial(Um maluco de gênio de primeira), decide usar o nome artístico que o consagraria, nasce assim, Erasmo Carlos.

Como já disse anteriormente, Erasmo era um roqueiro nato, mas logo conheceu Wilson Simonal, Jorge Benjor e João Gilberto. Toda essa influência de música brasileira aliada ao seu tino de compositor, parcerias e toda influência de tudo que acontecia musicalmente no Brasil no inicio da década de 1970 e até mesmo antes culminaria tudo isso naquele que considero um dos maiores clássicos da música brasileira o disco “Carlos-Erasmo”.

O disco marca a estréia de Erasmo Carlos na gravadora Philips e graças a toda aquela influência que mencionei anteriormente o álbum recebeu um tratamento especial da produção que ficou a cargo que ninguém mais ninguém menos que Manoel Barenbein que foi parceiro na produção dos discos da fase psicodélica de Ronnie Von. Além disso, Nelson Mota e Chiquinho Moraes trataram da produção do mesmo, sem contar a eterna parceria com Roberto Carlos em boa parte das composições. 

O disco se inicia com a música “De noite na cama” parceria de Erasmo com Caetano Veloso, pouca gente sabe mas o Tremendão gostava muito de uma ervinha e a música é um apologia clara à maconha, tanto que a música que fecha o disco se chama “Maria Joana”, sacaram?

Aproveito para apontar alguns destaques como a dolorida e melancólica “É preciso dar um jeito meu amigo” música difícil de se ouvir sem você ficar calado apenas pensando a respeito de tudo que é cantado naquela bela composição, o final ainda tem de brinde um impecável solo de sax. “Gente Aberta” é um sambinha pra você ouvir sozinho em uma noite de inverno em casa ou na praia em uma tarde de verão, é a típica música que você se pega sorrindo ouvindo os lindos versos em que o cantor aponta para um amor que o chama. De todas as 17 faixas do disco sem sombra da dúvida a que mais me impressiona é “Dois animais na selva suja da rua”.

Os arranjos são fenomenais, o inicio com um piano anunciando a guitarra que está por entrar, a bateria é um caso especial, é possível ouvir toda afinação e técnica do baterista enquanto a guitarra sola com um teclado baixinho ao fundo. A letra é estupenda “Por isso somos iguais, nós somos dois animais que se animam, que se amigam”, no final uma verdadeira orquestrada encerra uma música que está na minha lista entre as 10 melhores brasileiras de todos os tempos, não é exagero!

É ruim, mas eu gosto confesso que ouço...



Pois é leitores, demorei, mas tomei coragem para escrever um texto tão revelador nessa coluna que sei que eu vou ser motivo chacota ou mesmo choque, mas não posso me furtar de escrever a respeito das minhas vergonhas musicais. Algumas pessoas que convivem comigo diariamente, amigos próximos, já sabem que eu tenho um gosto extremamente variado, posso tranquilamente ouvir Roberto Carlos e minutos depois ouvir Sepultura, tudo depende do dia, do humor, enfim... O que pouca gente sabe é que eu gosto de algumas coisas bem peculiares, então sem mais delongas vamos a elas.

Quando eu era um pré-adolescente TODOS os meus amigos e parentes ouviam o conhecido estilo que se popularizou na região sul do Brasil nos anos 80, 90 chamado Eurodisco, ou Eurodance. Eu simplesmente sou fanático por isso, Modern Talking, Bad Boys Blue, Fancy, Joy, CC Catch, Francesco Napoli (bala bala), enfim. Sabe aquele seu vizinho que lava o Passat 87 ou o Monza todo domingo ouvindo a todo volume aquele refrão “Brother Louie Louie Louie...” então, eu gosto, mas por favor, não espalhem, ta eu sei que é brega e isso e aquilo mas fazer o que?

Agora pra piorar ainda mais a minha situação, eu confesso! Ainda ouço João Paulo & Daniel e Leandro & Leonardo, acho que eu devo saber cantar todas as músicas deles e aproveitando coloca mais o Raça Negra na minha conta. Sim eu não sou aquele cara que só ouve rock alternativo, pós punk, British rock, etc. Eu confesso sou brega!

Voltando para o mundo do rock eu gosto, pasmem de Nightwish e Avantasia. A primeira vez que ouvi Nightwish foi quando um amigo foi fazer uma tatuagem e estava tocando no estúdio o disco “Wishmaster” achei fantástico e nunca mais parei de ouvir, mesmo com tantas trocas de formação eu ainda ouço, mas dou preferência a fase clássica com a Tarja Turunen nos vocais. 

Já o Avantasia eu conheci na época em que eu estava descobrindo novas sonoridades e pedia pra todos me mostrarem novidades, foi então que um amigo me mostrou o álbum “Metal Opera” até hoje sinto arrepios ao ouvir as primeiras faixas “Serpents In Paradise” e “Breaking Away”, gostei do conceito do disco duplo descrever uma estória em que cada membro convidado interpreta um personagem (não acredito que escrevi isso)

Para finalizar não adianta pessoal, todos tem suas vergonhas musicais, algumas constrangedoras, outras nem tanto, se bem que pensando bem aqui e sabendo o que algumas pessoas andam ouvindo por a,í eu ainda posso afirmar que ao menos ouço no meu canto baixinho o que citei, agora imaginem quem faz questão de bradar que gosta de Jorge & Matheus, Michel Teló, a sem sal da Paula Fernandes ou Tiaguinho? E pioooooor paga pra ver isso! É prefiro ficar com minhas vergonhas mesmo...

Ronnie Von: Quando éramos psicodélicos



Recentemente o canal a cabo BIS exibiu o documentário “Quando éramos príncipes” que aborda os três discos psicodélicos do cantor Ronnie Von: Ronnie Von – 1969, A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nunca Mais e Maquina Voadora. O documentário é excepcionou e aborda detalhadamente o que motivou o cantor a romper com os padrões românticos e da jovem guarda e ir contra tudo e contra todo para fazer o que sentia e o que gostava deixando uma carreira artística para seguir uma carreira de artista.

Ronnie Von é filho de diplomata o que facilitou para ele conseguir os primeiros discos dos Beatles sua maior influência nessa fase. Entre tantos outros artistas que influenciaram sua fase psicodélica, antes de 69, ele seguia normalmente a carreira de cantor romântico tal qual o Roberto Carlos fazia, por isso Ronnie recebeu o apelido de príncipe devido a sua beleza e por já ter um rei em ascensão. (aqui cabe uma nota: discordo totalmente do título atribuído a Roberto Carlos mas isso é assunto para outro texto)

Voltando a 1969, contrariando a vontade da gravadora, gerando desconfiança por parte dos produtores, Ronnie gravou o primeiro dos seus discos psicodélicos, ninguém entendeu absolutamente nada. Por que um cantor romântico em meio à tropicália, jovem guarda e mundo romântico rompeu com tudo e gravou um disco estranho? com músicas como Anarquia que começa com uma longa chamada telefônica, e a fantástica Mil Novecentos e Além. Aqui vale um registro, os arranjos são de uma qualidade que somente o Maestro Cozzela e Manuel Barembein conseguiram captar a intenção de Ronnie e mergulhar no seu mundo.

No segundo disco Maquina Voadora o disco se torna totalmente conceitual inspirado no livro O Pequeno Principe em Beatles e em aviação Ronnie grava verdadeiras pérolas como: Você de Azul, Maquina Voadora e a fabulosa Continentes e Civilizações. No documentário o produtor Arnaldo Sacomani é taxativo ao falar: “Foi emblemático, o cara chegou e falou não quero saber de musiquinha do Roberto Carlos, eu quero gravar uma canção dos Beatles que na época era um grupo ousado”. Imaginem um cantor brasileiro que até então era romântico fazer isso em pleno 1969 com ditadura e tudo!

No terceiro disco A Misteriosa Luta Do Reino De Parassempre Contra O Império De Nuncamais temos a linda Atlandida Atlantis e um som totalmente inspirado em Beatles e de nome pomposo De Como Meu Héroi Flash Gordon Irá Levar-Me De Volta À Alpha Do Centauro Meu Verdadeiro Lar.

Hoje quem vê aquele homem bem vestido na TV Gazeta, apresentando o programa Todo Seu, ou mesmo ouve suas músicas românticas muitas vezes não sabe que ele é responsável por três das mais importantes e ousadas obras musicais já gravadas no Brasil. Segundo Arnaldo Sacomani, na época ninguém entendeu porque Ronnie estava muito a frente do seu tempo! Eu concordo plenamente, Ronnie Von era talentoso demais para ser apenas mais um na Jovem Guarda e inconformado demais pra ser só mais um romântico.

Rock in Rio ou Baile da Saudade?



Entre os dias 18 e 27 de Setembro de 2015 acontece no Rio de Janeiro a edição comemorativa de 30 anos do Rock in Rio. Nas ultimas edições o festival virou praticamente um espetáculo de peças publicitárias por todos os cantos onde o que tem menos importado é a música. Tirolesas, Balões de marcas de carros e operadoras de celulares, entre outras ações de marketing fazem com que a música acabe ficando em segundo plano. Isso tudo aliado a filas gigantescas para banheiro, preços absurdos por água, cerveja e um misero sanduíche fazem com que eu não tenha mínima vontade de ir a tal lugar. Mas, já que estou aqui para falar de música, vamos abordar a edição 2015 do Rock in Rio onde teremos atrações interessantes e aquelas que vão comandar o Baile da Saudade.

A edição do Baile da Saudade terá no dia 18 Queen (ou o que sobre deles) com um vocalista recém saído do American Idol, ou seja, teremos aquelas babinhas que todo mundo conhece como “another one bites the dust”, I Want to break Free”, “I wanna it all” e aí por diante, coitado do Fred Mercuy, deve sofrer ao ver um Menudo no seu lugar. Ainda no dia 18 o evento apresentará uma homegem a Cássia Eller.

No dia 20 a frase “Como era bom” vai ser a tona com shows de: Rod Sewart “I’aaaaam saaaylin” (Como eu odeio isso), Elton John e Seal, sim o Foca! Que ficou famoso nos anos 90 pela trilha sonora do filme Batman Forever com a música “Kiss from a rose” e posteriormente com a balada pop “Crazy”. Acha que acabou? Calma. No dia 27 a banda que acabou, voltou, acabou e voltou novamente encerra o evento, os Noruegueses do A-Ha, a banda se consagrou nos anos 80 e 90 com hits como “Take on me”, “the sun aways shine on TV”e “You are the one”. Para os metaleirões no dia 19 ainda tem a atração inédita no Brasil, Metallica (o grupo não lança um disco novo desde 2008) além disso no mesmo diam o evento contará com os farofentos do Mutley Crue, simbolo dos anos 80 carros velozes, bebidas, couro, motos e mulheres. Está completo o Baile da Saudade!

Como tudo na vida tem sua parte boa, faço uma menção honrosa ao organizadores que trouxeram atrações muito interessantes se esquecermos as citadas acima, de todo Line up apresentado, destaco aqui as seguintes bandas: Mastodon, Ministry (essa eu iria com certeza se tivesse um show único, disparada a minha banda preferida entre todas) Gojira, Deftones, Queens of the Stone Age, Faith no More além do talentoso John Leggend e da imperdível atração Alice Caymmi e Eumir Deodato. Alias esse ultimo é muito mais conhecido fora do Braisl do que aqui, ótima pedida!

Assim sendo, teremos um festival em que sim, teremos bandas competentes, com trabalhos interessantes e bem produzindos, como teremos bandas que fazem turnes caça nikel para garantir a aposentadoria com um verdadeiro Baile da Saudade, sai dessa! Pra festa ficar completa só faltou chamar o Bozo, Sergio Mallandro, Perla, Elke Maravilha e o cantor Ovelha.

PS: Por motivos de não ter condições psicológicas para tal não vou comentar o show do Angra + Dee Snider + Doro Pesch.

(Texto publicado em 2015 referente a edição daquele ano)