Recentemente
o canal a cabo BIS exibiu o documentário “Quando éramos
príncipes” que aborda os três discos psicodélicos do cantor
Ronnie Von: Ronnie
Von – 1969, A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o
Império de Nunca Mais e
Maquina Voadora. O
documentário é excepcionou e aborda detalhadamente o que motivou o
cantor a romper com os padrões românticos e da jovem guarda e ir
contra tudo e contra todo para fazer o que sentia e o que gostava
deixando uma carreira artística para seguir uma carreira de artista.
Ronnie
Von é filho de diplomata o que facilitou para ele conseguir os
primeiros discos dos Beatles sua maior influência nessa fase. Entre
tantos outros artistas que influenciaram sua fase psicodélica, antes
de 69, ele seguia normalmente a carreira de cantor romântico tal
qual o Roberto Carlos fazia, por isso Ronnie recebeu o apelido de
príncipe devido a sua beleza e por já ter um rei em ascensão.
(aqui cabe uma nota: discordo totalmente do título atribuído a
Roberto Carlos mas isso é assunto para outro texto)
Voltando
a 1969, contrariando a vontade da gravadora, gerando desconfiança
por parte dos produtores, Ronnie gravou o primeiro dos seus discos
psicodélicos, ninguém entendeu absolutamente nada. Por que um
cantor romântico em meio à tropicália, jovem guarda e mundo
romântico rompeu com tudo e gravou um disco estranho? com músicas
como Anarquia
que começa com uma longa chamada telefônica, e a fantástica Mil
Novecentos e Além.
Aqui vale um registro, os arranjos são de uma qualidade que somente
o Maestro Cozzela e Manuel Barembein conseguiram captar a intenção
de Ronnie e mergulhar no seu mundo.
No
segundo disco Maquina
Voadora o
disco se torna totalmente conceitual inspirado no livro O Pequeno
Principe em Beatles e em aviação Ronnie grava verdadeiras pérolas
como: Você
de Azul, Maquina Voadora
e a fabulosa Continentes
e Civilizações.
No documentário o produtor Arnaldo Sacomani é taxativo ao falar:
“Foi emblemático, o cara chegou e falou não quero saber de
musiquinha do Roberto Carlos, eu quero gravar uma canção dos
Beatles que na época era um grupo ousado”. Imaginem um cantor
brasileiro que até então era romântico fazer isso em pleno 1969
com ditadura e tudo!
No
terceiro disco A
Misteriosa Luta Do Reino De Parassempre Contra O Império De
Nuncamais temos
a linda Atlandida
Atlantis
e um som totalmente inspirado em Beatles e de nome pomposo De
Como Meu Héroi Flash Gordon Irá Levar-Me De Volta À Alpha Do
Centauro Meu Verdadeiro Lar.
Hoje
quem vê aquele homem bem vestido na TV Gazeta, apresentando o
programa Todo Seu, ou mesmo ouve suas músicas românticas muitas
vezes não sabe que ele é responsável por três das mais
importantes e ousadas obras musicais já gravadas no Brasil. Segundo
Arnaldo Sacomani, na época ninguém entendeu porque Ronnie estava
muito a frente do seu tempo! Eu concordo plenamente, Ronnie Von era
talentoso demais para ser apenas mais um na Jovem Guarda e
inconformado demais pra ser só mais um romântico.

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