quarta-feira, 21 de março de 2018

Ronnie Von: Quando éramos psicodélicos



Recentemente o canal a cabo BIS exibiu o documentário “Quando éramos príncipes” que aborda os três discos psicodélicos do cantor Ronnie Von: Ronnie Von – 1969, A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nunca Mais e Maquina Voadora. O documentário é excepcionou e aborda detalhadamente o que motivou o cantor a romper com os padrões românticos e da jovem guarda e ir contra tudo e contra todo para fazer o que sentia e o que gostava deixando uma carreira artística para seguir uma carreira de artista.

Ronnie Von é filho de diplomata o que facilitou para ele conseguir os primeiros discos dos Beatles sua maior influência nessa fase. Entre tantos outros artistas que influenciaram sua fase psicodélica, antes de 69, ele seguia normalmente a carreira de cantor romântico tal qual o Roberto Carlos fazia, por isso Ronnie recebeu o apelido de príncipe devido a sua beleza e por já ter um rei em ascensão. (aqui cabe uma nota: discordo totalmente do título atribuído a Roberto Carlos mas isso é assunto para outro texto)

Voltando a 1969, contrariando a vontade da gravadora, gerando desconfiança por parte dos produtores, Ronnie gravou o primeiro dos seus discos psicodélicos, ninguém entendeu absolutamente nada. Por que um cantor romântico em meio à tropicália, jovem guarda e mundo romântico rompeu com tudo e gravou um disco estranho? com músicas como Anarquia que começa com uma longa chamada telefônica, e a fantástica Mil Novecentos e Além. Aqui vale um registro, os arranjos são de uma qualidade que somente o Maestro Cozzela e Manuel Barembein conseguiram captar a intenção de Ronnie e mergulhar no seu mundo.

No segundo disco Maquina Voadora o disco se torna totalmente conceitual inspirado no livro O Pequeno Principe em Beatles e em aviação Ronnie grava verdadeiras pérolas como: Você de Azul, Maquina Voadora e a fabulosa Continentes e Civilizações. No documentário o produtor Arnaldo Sacomani é taxativo ao falar: “Foi emblemático, o cara chegou e falou não quero saber de musiquinha do Roberto Carlos, eu quero gravar uma canção dos Beatles que na época era um grupo ousado”. Imaginem um cantor brasileiro que até então era romântico fazer isso em pleno 1969 com ditadura e tudo!

No terceiro disco A Misteriosa Luta Do Reino De Parassempre Contra O Império De Nuncamais temos a linda Atlandida Atlantis e um som totalmente inspirado em Beatles e de nome pomposo De Como Meu Héroi Flash Gordon Irá Levar-Me De Volta À Alpha Do Centauro Meu Verdadeiro Lar.

Hoje quem vê aquele homem bem vestido na TV Gazeta, apresentando o programa Todo Seu, ou mesmo ouve suas músicas românticas muitas vezes não sabe que ele é responsável por três das mais importantes e ousadas obras musicais já gravadas no Brasil. Segundo Arnaldo Sacomani, na época ninguém entendeu porque Ronnie estava muito a frente do seu tempo! Eu concordo plenamente, Ronnie Von era talentoso demais para ser apenas mais um na Jovem Guarda e inconformado demais pra ser só mais um romântico.

Nenhum comentário:

Postar um comentário