A segunda metade da década de 1970 foi um período difícil em boa parte do mundo. No Brasil, a ditadura militar alcançava o seu auge de repressão mas já começava a dar sinais de um fim ineveitável. Nos Estados Unidos, o fim da Guerra do Vietnã aliada a ressaca pós movimento hippie criava um ar de tédio e incertezas no país.
Na
Europa e em todo mundo o rock andava chato com a acenção do “Rock
Progressivo”. Foi então que a música mecânica que depois viraria
“Disco Music”surgiu através do “Papa da Música”, um
bigodudo chamado Giorgio Moroder espalhou aquele som dançante por
toda Nova York e aos poucos começou a ganhar o país do Tio San.
Atentos a isso, dois amigos, Steve Rubell e Ian Schrager que eram
experts em relações humanas, compraram um imenso prédio em Nova
York e criaram ali aquela que seria a casa noturna mais disputada e
bem frequentada da história, nascia o Studio 54. O lugar tinha
apenas uma regra para permitir a entrada, ser cool e não ser
careta era a única regra.
Assim que boate abriu, o lugar virou um antro de celebridades e
simbolo de elegância e claro, exageros em todos os sentidos. O que
você imagina de uma lugar que tinha a seguinte lista de clientes:
A
socialite e ex-esposa de Mick Jagger, Bianca Jagger, a atriz Liza
Minnelli, o artista Pop-Art Andy Warhol e os estilistas Halston e
Calvin Klein lideravam o A-List. Eles brilhavam ao lado da cantora
Cher, Elizabeth Taylor (Atriz consagrada), Grace Jones (cantora),
Farrah Fawcett, Gina Lollobrigida, Gloria Swanson, Brooke Shields
(que pasmem, no dia da inauguração tinha apenas 11 anos), Jackie
Kennedy, Diana Vreeland, Truman Capote, Rod Stewart, Dolly Parton,
Jerry Hall, Lauren Hutton, Iman, Debbie Harry (vocalista da banda
Blondie), Margaux Hemingway, Paloma Picasso, Yves Saint Laurent
(estilista), Gia Carangi, René Russo, Anjelica Huston e Divine.
Falando em Divine, Drag-queens eram muito bem recebidas no local,
assim como Sally Lippman, uma senhora de 75 anos, apelidada de Disco
Sally.
Estar na Studio 54 era a garantia que você estaria no outro dia nas
colunas sociais, o que significava que você “era alguém na fila
do pão”. O Studio 54 também se tornou famoso por suas festas
inusitadas. Na homenagem ao estilista Halston (assíduo na casa), o
lugar se transformou numa pequena Pequim e os V.I.P. eram carregadas
em liteiras. Para a festa de Dolly Parton foi recriada uma
fazendinha, com porcos e ovelhas vivos. No aniversário do italiano
Valentino, foi instalada uma arena de circo com areia e sereias nos
trapézios com figurinos emprestados de filmes de Fellini.
O produtor
Allan Car promoveu a première americana do filme ‘Grease – Nos
Tempos da Brilhantina’ no club, com os clientes vestidos como
adolescentes dos anos 50. Um fato ajudou a popularizar a casa foi
clássico filme “Os Embalos de Sábado a Noite (1978)” A pista de
dança e Disco Music que já eram a tônica da produção foram carro
chafe para artistas como Gloria Gaynor, Donna Summer, Sylvester,
Sister Sledge, Evelyn Champagne King, Diana Ross, Alicia Bridge,
Village People, Nille Rogers e Chic, entre outros serem os principais
nomes do lugar.
Agora o leitor se pergunta: E isso teve fim? Como esse lugar foi
fechar as portas? Adivinhem? É claro que o Studio 54 era abastecido
com quantidades Nababescas de todos os típos de drogas, especial a
cocaína. Os porões do lugar guardavam além de muita droga, sacos e
sacos de dinheiro confiscado do fisco norte americano. No dia 14 de
dezembro de 78, trinta agentes entraram no clube e encontraram no
porão sacos de lixo cheios de dinheiro, cocaína e notas fiscais.
Estimava-se que o Studio 54 gerava US$ 70 mil por noite e que seus
donos já haviam sonegado US$ 2,5 milhões.
Rubell e Schrager foram presos, pagaram fiança de US$ 50 mil cada e
saíram no dia seguinte. 40 anos depois o conceito de “balada”
com luzes, refletores, DJ's, bares e bebidas foi o legado deixado
pelo Studio 54. No Brasil, em 1978, o empresário Henri Karam
juntamente com seu sócio, o cantor Nahim inauguraram uma cópia da
Studio 54, a boate paulista naAquarius. Com os mesmos exageros e com
o mesmo tamanho, pra que tenha ideia, dias antes da inaguração da
Aquarius Henri Karam foi ao Studio 54 e distribuiu 100 passagens com
tudo pago para o Brasil para que aquelas pessoas estivessem presentes
na inauguração, o resto é história.

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