Na
madrugada da última segunda feira (12) a escola de samba carioca
Paraíso do Tuiuti, surpreendeu a todos com o enredo “Meu Deus, meu
Deus, está extinta escravidão?”. Nunca fui muito interessado em
carnaval, mas os comentários em torno do desfile da foram tantos que
fui mais afundo para saber mais sobre o que tanto as pessoas
comentavam. A escola levou a Sapucaí a história dos 130 anos da
abolição da escravidão. Do Egito a Babilônia até os dias atuais.
Aqui vale um registro curioso e histórico, no carnaval de 1988,
todas as escolas trataram o mesmo tema, o Centenário da Abolição.
Naquele ano, a Unidos de Vila Isabel foi a grande campeã. Quando
esse texto for publicado, certamente já irá se saber o resultado da
campeã de 2018 e imagino que não será a Paraíso do Tuiuti, não
pelo enredo mas tem todo um aparato técnico que vai além de samba
enredo, fantasias, adereços e outros detalhes. (Tomara que eu
esteja errado)
Nos primeiros carros a escola deu todo contexto histórico da abolição com maestria, até então a equipe da Rede Globo conseguiu se virar bem na transmissão. Acontece que eles não esperavam o que viria na parte final do desfile. O último setor apresentou uma enxurrada de ironias deixando claro que a escravidão permanece até hoje mas agora com os políticos e grandes empresários (leia-se mídia) controlando a opinião e as pessoas.
Nos primeiros carros a escola deu todo contexto histórico da abolição com maestria, até então a equipe da Rede Globo conseguiu se virar bem na transmissão. Acontece que eles não esperavam o que viria na parte final do desfile. O último setor apresentou uma enxurrada de ironias deixando claro que a escravidão permanece até hoje mas agora com os políticos e grandes empresários (leia-se mídia) controlando a opinião e as pessoas.
O último carro
continha: Presidente Temer vestido de vampiro, paneleiros manipulados
como fantoches, patos de borracha fazendo alusão ao pato da FIESP.
Soma-se isso aos integrantes com a camisa da seleção brasileira de
futebol e a tempestade perfeita estava montada. Visivelmente
constrangidos e perdidos, Alex Scobar e Fatima Bernardes não sabiam
o que dizer sobre a última parte do desfile e apenas falaram que
aparentemente era uma crítica política. Pior, na reprise de segunda
feira o desfile da escola não teve narração nem comentários. Pior
que não concordar com algo é ser omisso.
O
leitor se pergunta: tá mas o que o rock nacional tem a ver com isso?
É comum ver os sempre tão inteligente “rockeiros” criticar o
samba pelo fato do mesmo ter letras vagas ou mesmo não ter relação
com a sua realidade. Bom, me parece que Paraíso da Tuiuti fez o que
a anos nenhuma banda nacional de destaque faz ou consegue destaque
fazendo, uma letra de protesto que fale diretamente com os
brasileiros.
O geriátrico rock nacional hoje em dia brinda os
ouvintes com o defensor do militarismo, Roger do Ultraje a Rigor
(aquele do Q.I alto) Lobão – um dos envolvidos nos protestos de
2016 dos paneleiros. Dinho Ouro Preto (cara, legal cara!) o eterno
jovem que vive na sombra de Renato Russo até hoje. Titãs foram
enterrados junto com “Epitáfio” (deveriam ter tocado menos,
insistido menos e acabado a banda antes) e hoje virou quase uma banda
cover de si própria, o mesmo se aplica a Raimundos. Citei aqui
algumas bandas conhecidas, populares e que conversam com um grande
público de todas as idades.
Essas
não conseguem sair do passado. Levaram um banho da Paraíso do
Tuiuti que não só fez um samba maravilhoso com colocou o dedo na
ferida, incomodou poderosos, causou desconforto e fez o que o rock
fazia décadas atrás, contestação. Rock hoje em dia é ouvido em
sua maioria por pessoas na faixa de 30,40,50 anos que tem como
nostalgia o combustível de vida e não conseguem sair disso. Uma
pena.
As
grandes bandas não souberam envelhecer, tampouco se reinventar, as
novas gerações que fazem um trabalho legal no underground
não
conseguem sair do circuito SESC ou de pequenos clubes. As rádios não
conseguem se livrar do sertanejo (porque não interessa a elas)
Graças ao carnaval, o Samba chega a todas as camadas e sabendo
disso, a Paraíso do Tuiuti deu o seu recado. A Mangueira também
criticou o prefeito do Rio de Janeiro, sabendo do alcance da festa.
Ou seja,devemos prestar atenção no samba de hoje em diante, ali
está o povo, ali estão as pessoas que sentem as mazelas do país.
O rock nacional fica nos apartamentos e inerte como uma manhã de
quarta feira de cinzas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário