terça-feira, 20 de março de 2018

Há 4 décadas Elvis alcançou a vida eterna



Em 15 de agosto de 1977, aos 42 anos de idade, às 11 horas da noite, Elvis, após sentir um incômodo nos dentes, decide ir ao dentista naquela hora. Como era famoso, o único horário possível para ele era aquele. Ao retornar a Graceland (residência oficial de Elvis localizada em Memphis, estado norte-americano do Tenessee), o cantor jogou tênis e tocou algumas canções no violão e no piano madrugada adentro. Por volta das 5h da madrugada de 16 de agosto, Elvis decide dormir. Das 10 da manhã até às 14h, o que acontece ainda é motivo de polêmica por parte dos biógrafos e fãs do cantor. Entretanto, a versão pouco contada mais conhecida por pesquisadores musicais é que o cantor foi encontrado morto às 2 horas da tarde, sentado sobre o vaso do banheiro de sua mansão em Graceland, após comer vários sanduíches de pasta de amendoim, banana e bacon (sua refeição preferida), além de uma dose cavalar de calmantes e um variado coquetel de remédios. A causa da morte foi colapso fulminante relatada pelos médicos as 15:50.

Elvis tomava remédios como se fossem M&M’s. Sua saúde durante a década de 1970 era horrível, o cantor ao final da vida chegou a pesar 160 kg e precisava da assistência de uma enfermeira. Nos ultimos shows era praticamente imóvel, passou a se apresentar sentado e escorado no piano. Seu peso aliado às pesadas roupas faziam Elvis suar em demasia. Alguns apontam que uma constipação intestinal teria matado o ídolo. O intestino de uma pessoa normal tem cerca de 1,5m, o de Elvis tinha 3m. O pulmão era debilitado, além de problemas nas artérias. Ou seja, o homem tinha problemas tão grandes quanto seu talento. Entretanto, antes desse histórico terrível que culminou com sua morte, Elvis criou um mito, um estilo e um legado que é talvez o maior marco do rock.

Quando pensamos em Elvis, a primeira coisa que nos vem à cabeça é o rock e suas extravagantes vestimentas. Elvis foi o artista mais importante do do estilo, sem a menor sombra de dúvida. O cantor não inventou o rock, ao contrário do que muitos pensam, mas ajudou a populariza-lo até então marginalizado. Os jovens estavam cansados de ouvir o country herdado dos pais. 

Quando um tímido cantor gravou suas primeiras canções nos estúdios da gravadora "Memphis Recording Service", filial da Sun Records em 1954, o mundo mudou. Elvis, quando soube que sua canção intitulada “That's all right” seria executada no rádio pela primeira vez, se escondeu de tanta vergonha. Mal sabia ele que aquilo mudaria a história não só da música, mas de comportamento, atitude e da própria indústria cultural. Logo a segunda canção executada na rádio de Memphis, “Blue Moon of Kentucky” foi ao topo das paradas fazendo com que Elvis Aaron Presley, ficasse conhecido como Elvis Presley.

Em 1956, ele já era sensação mundial participando de filmes, programas de TV e inovando com um rebolado nunca visto antes. Até 58, o cantor era chamado de “Elvis the Pelvis” devido a sua maneira de cantar e dançar, levando as fãs à loucura. Algumas desmaiavam ao ver as apresentações do cantor, muitos pais proibiam de se ouvir aquele tipo de música, era algo nunca visto. No mesmo ano, tudo mudou, Elvis foi convocado para o exército e passou dois anos servindo na Alemanha. Entretanto, o maior marco na sua vida foi o falecimento de sua mãe, Gladys Presley também no derradeiro ano. Depois disso, o cantor nunca mais foi o mesmo. Da década de 1960 em diante, após a saída do serviço militar, nasce um novo Elvis e com isso a minha fase preferida dele.

Na década de 1960, contrariando o seu empresário, o cantor lançou alguns discos com tema gospel e os mesmos foram sucesso total de crítica. Além disso, se apresentou no Hawaii em shows beneficentes. Foi nesse período que passou a gravar muitos filmes de roteiro duvidoso em Hollywood. Participou de várias produções de diversos gêneros, sendo o melhor e talvez mais famoso “Viva Las Vegas”, que tem uma das trilhas mais divertidas da sua carreira no cinema. Após a fase de filmes, acontece a maior virada na carreira do cantor que agora passa a usar roupas pesadas, cintos com fivelas enormes, botas, gola alta, costeletas e um imenso topete. Nasce o clássico e premiado álbum “How Great Thou Art”. 

Esse disco é clássico não só pelo repertório musical, mas pelas mudanças no tom e alcance de voz do cantor. Como ganhou peso, a potência vocal aumentou junto e isso aliado às excêntricas roupas, transformaram o rei do rock em um ícone, uma figura marcante que agradava tanto a juventude, quanto os pais e críticos de música. Nascia o artista perfeito. O casamento com Priscilla Beaulieu (Presley), mostrou que além de tudo era um americano nato, com família estabelecida que culminaria com o nascimento da única filha, Lisa Presley.

Após o casamento, o cantor ficou 8 anos afastado por conta própria do contato direto com o público, retornando apenas em 69 com temporadas de shows em Las Vegas. Imaginem o que era ver Elvis caracterizado, na melhor fase vocal em Las Vegas? Dá pra entender por que hoje em dia a cidade é capital dos sósias do cantor, além de ter se tornado um dos lugares mais bregas do mundo.
Na década de 1970, Elvis caiu na estrada lançando discos e fazendo sucesso nas suas apresentações em Nova York, Hawaii, além do retorno a sua terra natal, Memphis.

No dia 26 de Junho de 1977, Elvis Presley fez seu último show em Indianapolis. Seu repertório era absurdamente incrível, sua versão para "Unchained Melody” é facilmente encontrada no Youtube. Nela é possível observar que seu fôlego não era dos melhores, além disso, sua condição de saúde é perfeitamente visível. Entretanto, tudo isso passa batido quando ele toca as primeiras notas no piano. Quase dez anos após a morte de sua mãe, podemos ver o estrago que 10 anos de vício em medicamentos, péssimos hábitos alimentares, como o famoso sanduíche de pasta de amendoim, banana e bacon, um ritmo implacável de shows, filmes e entrevistas provocaram no cantor. Esse ritmo acelerado de vida nos faz retornar ao início do texto. 

Elvis encontrava sua paz apenas quando estava sozinho, da mesma forma que viveu seus ultimos momentos. “Elvis não morreu”, a clássica frase, 40 anos depois faz cada vez mais sentido. Mesmo morto, suas canções e legado ainda apontam para o futuro.

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