terça-feira, 20 de março de 2018

Fim do formato MP3 e Ipod's inicia uma nova era no mundo da música



Na última quinta-feira, 28 de Julho, a Apple anunciou o fim da produção da sua linha de Ipod's, o shuffle e o nano. Lançados em 2005, dois anos antes do lançamento do primeiro Iphone, os equipamentos foram febre de vendas no mundo todo com a promessa feita por Steve Jobs de ter espaço para mais de 1.000 músicas, algo inimáginal até entã, imagine quando o projeto foi anunciado em 2001. O Spotify foi lançado em 2008 trazendo consigo uma vasta biblioteca musical e também o problema de só ser acessível pelo computador ou por aparelhos que oferecessem a opção de baixar o mesmo além de uma boa conexão com a internet. 

Diferente do agora saudoso Ipod que permitia apenas passar o MP3 para o aparelho e ir para academia, viajar, passear como cachorro, etc. A “popularização” do Iphone com melhorias a cada ano foi matando o Ipod e demais ferramentas musicais fazendo com que seu fim fosse inevitável. Mesmo com Itunes, a Apple não conseguiu segurar o Spotify, que hoje, navega em águas tranquilas quando o assunto é música.

O fim do Ipod vem junto com o fim do formato MP3, o mesmo se tornou obsoleto conforme admitiu o “Instituto Fraunhofer”. O desenvolvimento do MP3 começou no final dos anos 80 no Instituto Fraunhofer de Circuitos Integrados (IIS), com base em pesquisas da Universidade de Erlangen-Nuremberg na Alemanha. Mesmo que haja formatos de compressão de áudio mais eficientes atualmente - chamados pelos especialistas de codecs de áudio -, o MP3 é ainda muito popular entre os usuários e para mim um fenômeno cultural, mas para entende-lo precisamos ir além dos anos 80 e chegarmos até 1999/2000 o ano que a indústria fonográfica teve seu maior faturamento na história.

No dia 24 de fevereiro do ano 2000, a alta cúpula das maiores gravadoras se reuniu em uma sala de um dos hoteis mais badalados de Los Angeles, o Hotel Four Seasons de Beverly Hills. Qualquer pessoa importante já se hospedou lá. Em uma sala fechada com um computador conectado a internet, Hilarry Hossen, presidente da associação da indústria fonográfica pede que qualquer chefão de gravadora diga o nome de uma música, qualquer uma, de preferência as mais obscuras que só eles conhecem. Os executivos vão falando suas listas de mais de 10 nomes que em questão de segundos são encontradas no computador conectado a internet e baixadas de graça, era o fim de uma era!

O divisor de águas representava que um ano após o período de maior lucro das gravadoras, o seu negócio estava ruindo. Música agora é grátis. Surgia assim a Napster, que logo em seguida foi processada pelo Metallica ( Ou melhor pelo baterista Lars Urich, dono da banda) em seguida com a popularização da internet no mundo e no Brasil vieram programas de compartilhamento de músicaem massa como: Kazaa, Emule, Soulseek (o melhor), Ares, entre outros. 

Como disse anteriormente. Esses programas, somados aos Ipod's e a popularização da internet, fizeram do MP3 mais que um formato de música, e sim um fenômeno cultural no Brasil e no mundo que parecia que jamais iria acabar. A indústria fonográfica desde o fatídico encontro em fevereiro de 2000 não soube como lidar com isso e poucas bandas conseguiram fazer uso dessa nova forma de se ouvir música.

Em outubro de 2007 o Radiohead, banda britânica de rock alternativo lançou seu sétimo álbum, o meu favorito deles alias chamado “In Rainbows”. O disco duplo foi lançado primeiro em mídia digital no site da banda. O consumidor tinha a opção de pagar o quanto quisesse pelo álbum. Resultado? Sucesso de venda, arrecadação e um Grammy além de outras inúmeras premiações. Note que foi somente 7 anos depois que algo diferente aconteceu favorável a essa nova maneira de ouvir música e graças a coragem e critatividade da banda. Depois disso, outras optaram pelo mesmo caminho mas a maioria ainda se prendia ao velho CD que cada vez mais caia no esquecimento. Qual foi o último CD que o leitor comprou? Sou do tempo das locadoras de CD e lojas espalhadas pela cidade. Nos últimos anos, um outro fenômeno passou a abalar ainda mais o MP3, a volta do LP. O número de colecionadores a entusiastas do formato aumentou e fez com que bandas e gravadoras apostassem no formato.

A SONY anunciou recentemente que em 2016 a empresa vendeu mais LP's do que qualquer outro formato, mas ainda é pouco se compararmos com o número de usuários do Spotify que conta com cerca de 40 milhões de usuários pagantes. Porém, o Spotify, que tinha valor de mercado de mais de 8 bilhões de dólares quando recebeu uma rodada de injeção de recursos no ano passado, teve prejuízo operacional de 184,5 milhões de euros (195,5 milhões de dólares) porém os lucros dependem em grande parte dos acordos de pagamento de royalties com as gravadoras, algo que projeta-se que aconteça ainda esse ano. Vivemos uma nova era no mercado da música e por consequência um novo fenômeno cultural está por vir. O fim do MP3 não significa que ele acabou, mas é inegável que ouvir música via streaming é o futuro e um caminho sem volta, faça suas apostas ou sua playlist.

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