Na última quinta-feira, 28 de Julho, a Apple anunciou o fim da
produção da sua linha de Ipod's, o shuffle e o nano.
Lançados em 2005, dois anos antes do lançamento do primeiro Iphone,
os equipamentos foram febre de vendas no mundo todo com a promessa
feita por Steve Jobs de ter espaço para mais de 1.000 músicas, algo
inimáginal até entã, imagine quando o projeto foi anunciado em
2001. O Spotify foi lançado em 2008 trazendo consigo uma vasta
biblioteca musical e também o problema de só ser acessível pelo
computador ou por aparelhos que oferecessem a opção de baixar o
mesmo além de uma boa conexão com a internet.
Diferente do agora
saudoso Ipod que permitia apenas passar o MP3 para o aparelho e ir
para academia, viajar, passear como cachorro, etc. A “popularização”
do Iphone com melhorias a cada ano foi matando o Ipod e demais
ferramentas musicais fazendo com que seu fim fosse inevitável. Mesmo
com Itunes, a Apple não conseguiu segurar o Spotify, que hoje,
navega em águas tranquilas quando o assunto é música.
O fim do Ipod vem junto com o fim do formato MP3, o mesmo se tornou
obsoleto conforme admitiu o “Instituto Fraunhofer”. O
desenvolvimento do MP3 começou no final dos anos 80 no Instituto
Fraunhofer de Circuitos Integrados (IIS), com base em pesquisas da
Universidade de Erlangen-Nuremberg na Alemanha. Mesmo que haja
formatos de compressão de áudio mais eficientes atualmente -
chamados pelos especialistas de codecs de áudio -, o MP3 é ainda
muito popular entre os usuários e para mim um fenômeno cultural,
mas para entende-lo precisamos ir além dos anos 80 e chegarmos até
1999/2000 o ano que a indústria fonográfica teve seu maior
faturamento na história.
No dia 24 de fevereiro do ano 2000, a alta cúpula das maiores
gravadoras se reuniu em uma sala de um dos hoteis mais badalados de
Los Angeles, o Hotel Four Seasons de Beverly Hills. Qualquer pessoa
importante já se hospedou lá. Em uma sala fechada com um computador
conectado a internet, Hilarry Hossen, presidente da associação da
indústria fonográfica pede que qualquer chefão de gravadora diga o
nome de uma música, qualquer uma, de preferência as mais obscuras
que só eles conhecem. Os executivos vão falando suas listas de mais
de 10 nomes que em questão de segundos são encontradas no
computador conectado a internet e baixadas de graça, era o fim de
uma era!
O divisor de águas representava que um ano após o período de maior
lucro das gravadoras, o seu negócio estava ruindo. Música agora é
grátis. Surgia assim a Napster, que logo em seguida foi processada
pelo Metallica ( Ou melhor pelo baterista Lars Urich, dono da banda)
em seguida com a popularização da internet no mundo e no Brasil
vieram programas de compartilhamento de músicaem massa como: Kazaa,
Emule, Soulseek (o melhor), Ares, entre outros.
Como disse
anteriormente. Esses programas, somados aos Ipod's e a popularização
da internet, fizeram do MP3 mais que um formato de música, e sim um
fenômeno cultural no Brasil e no mundo que parecia que jamais iria
acabar. A indústria fonográfica desde o fatídico encontro em
fevereiro de 2000 não soube como lidar com isso e poucas bandas
conseguiram fazer uso dessa nova forma de se ouvir música.
Em outubro de 2007 o Radiohead, banda britânica de rock alternativo
lançou seu sétimo álbum, o meu favorito deles alias chamado “In
Rainbows”. O disco duplo foi lançado primeiro em mídia digital no
site da banda. O consumidor tinha a opção de pagar o quanto
quisesse pelo álbum. Resultado? Sucesso de venda, arrecadação e um
Grammy além de outras inúmeras premiações. Note que foi somente 7
anos depois que algo diferente aconteceu favorável a essa nova
maneira de ouvir música e graças a coragem e critatividade da
banda. Depois disso, outras optaram pelo mesmo caminho mas a maioria
ainda se prendia ao velho CD que cada vez mais caia no esquecimento.
Qual foi o último CD que o leitor comprou? Sou do tempo das
locadoras de CD e lojas espalhadas pela cidade. Nos últimos anos, um
outro fenômeno passou a abalar ainda mais o MP3, a volta do LP. O
número de colecionadores a entusiastas do formato aumentou e fez com
que bandas e gravadoras apostassem no formato.
A SONY anunciou recentemente que em 2016 a empresa vendeu mais LP's
do que qualquer outro formato, mas ainda é pouco se compararmos com
o número de usuários do Spotify que conta com cerca de 40 milhões
de usuários pagantes. Porém, o Spotify, que tinha valor de mercado
de mais de 8 bilhões de dólares quando recebeu uma rodada de
injeção de recursos no ano passado, teve prejuízo operacional de
184,5 milhões de euros (195,5 milhões de dólares) porém os lucros
dependem em grande parte dos acordos de pagamento de royalties com as
gravadoras, algo que projeta-se que aconteça ainda esse ano. Vivemos
uma nova era no mercado da música e por consequência um novo
fenômeno cultural está por vir. O fim do MP3 não significa que ele
acabou, mas é inegável que ouvir música via streaming é o
futuro e um caminho sem volta, faça suas apostas ou sua playlist.

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