quarta-feira, 21 de março de 2018

Ira! em Guarapuava, entrevista e detalhes do show



Dizem que sexta feira 13 é um dia de azar, para mim, no entanto, foi um dia de muita sorte. Tive a sorte de presenciar o show do Ira! por Guarapuava. A lendária banda, como bem se sabe, retornou aos palcos depois de um hiato de sete anos. Desde que soube que eles estariam por aqui pensei em entrevistá-los. 

Não somente porque a o Ira! é uma banda importante no cenário nacional, mas porque particularmente, ele é uma das minhas bandas preferidas, o que tornou a situação ainda mais especial. Bem, o único porém foi o tempo curto para entrevista, o que fez com que poucas perguntas pudessem ser feitas. Ainda assim, a entrevista foi pra lá de válida. Pra começar Nasi foi extremamente receptivo o que demonstra o respeito de um artista que com seus fãs. Poderia discorrer sobre o desempenho do show, que diga-se de passagem foi excelente, mostrando sim, que “a banda ainda tem muita lenha para queimar”, para reafirmar as palavras do Nasi. Mas sem mais delongas vamos ao papo.
Depois do período de hiato da banda, como tem sido esse retorno aos palcos do Ira! e a recepção do público nas cidade em que a turnê tem passado?
Nasi- Tem sido bastante emocionante, hoje você mesmo pode conferir. Estamos fazendo um show tocando muitos Lados B, então isso mostra que tem uma geração de fãs do Ira! garotos, que conhecem essas músicas dos primeiros discos do Ira!, isso com certeza tem haver com o poder que a internet tem. Se por um lado a internet complicou a relação entre o artista, o compositor e o consumidor, por outro lado propiciou coisas como essa né? Garotos hoje estão descobrindo o Ira!, estão descobrindo Led Zeppelin, descobrindo Sex Pistols. Coisas essas que se dependessem dos canais de música, das rádios, eles jamais saberiam que existem. Então, eu acho que isso está refletindo muito na nossa volta e uma coisa eu te falo, claro que a gente só voltou por dois motivos, três motivos! Porque a gente sentiu que ainda tínhamos lenha na nossa fogueira, porque nosso público pediu e porque a gente se determinou a fazer um show ainda melhor do que era o show do Ira!. Uma coisa eu te digo, esperávamos até uma coisa menor, não tanta procura de show como está tendo. Nós estamos em um momento do país em que existe uma certa crise econômica e o rock não tá muito bem na fita em termos de mídia. No entanto, nossa agenda tá alucinada, o que é bom porque sem modéstia nenhuma eu te digo, nós fazemos um puta show de rock. É isso que a gente quer passar para os garotos que estão sonhando em ter uma banda de rock, que ainda existe magia em ter uma banda de rock, que os grooves de uma bateria, as distorções de uma guitarra ainda podem contagiar.

Hoje em dia muitas bandas de rock no Brasil não conseguem sair do underground e quando conseguem ficam reféns da indústria. O que você acha que está acontecendo hoje em dia seria um problema das rádios? do próprio mercado musical?
Nasi- Olha nos vivemos momentos diferentes né?O Ira! se mantendo fiel aos seus princípios, teve momentos de sucesso muito grandes. Nós fizemos um projeto como o acústico MTV que pra muitos foi um projeto comercial, mas nós fizemos a nossa maneira, uma maneira musicalmente muito bem composta, muito bem trabalhada. Não fizemos um acústico só por fazer um acústico. O Ira! teve uma música em uma novela em 1986 (Flores em você) nós fizemos um arranjo sofisticado. O Ira! é um elo perdido entre o alternativo e o mainstream. A gente continua como uma banda que para o mundo alternativo é mainstream e para o mundo mainstream é alternativo. Eu não sei, por exemplo, como funcionária o Ira! em um festival de verão de Salvador, Abertura da copa, entendeu? (risos) Cara, se eu tivesse essa solução eu estaria montando minha própria gravadora tipo Subpop (risos) então eu acho que os garotos tem que fazer música, montar suas bandas que uma hora o jogo vira.
Falando um pouco sobre discografia e influências. Anos atrás vocês quase puderam trabalhar com o Andy Gill (fundador do grupo britânico Gang of Four), além disso, na turnê vocês estão tocando músicas do álbum “Psicoacústica” eu acho que esse disco é o “Sandinista” (álbum da britânica The Clash) do Ira! Você concorda?
Nasi- É uma excelente comparação! Ainda mais eu que sou fã do Clash, porque é o disco experimental deles né? Depois do grande sucesso deles que foi o “London Calling”. Agora essa questão do Andy Gill é o seguinte cara, ele anda namorando aqui no Brasil, ele é muito amigo do Thomas Papa músico que tocou comigo e com o Edgard. Ele teve aqui naquele evento do Legião Urbana com Wagner Moura, e já chegaram informações pra gente que poderíamos ter ele como produtor, seria uma coisa incrível, todos nós somos fãs. Talvez hoje em dia seja algo que o fã do Ira! não entende, mas antes da gente gravar disco o Gang of Four era a nossa grande influência ao lado do Clash né? Mas uma coisa que a gente não quer é colocar o carro na frente dos bois, o próximo disco do Ira! depois dessa parada, dessa mudança de formação, tem que ser um disco muito bom, assim como vocês estão vendo no show hoje, “Nossa o Ira! voltou e voltou o melhor”, tem que no disco ser assim também. Então nossa primeira preocupação é que essas músicas surjam e aí quem sabe o Andy Gill, dependendo da característica dessas músicas, seria um nome que pra gente seria muito legal mesmo.

Arrependido da troca do Jadson pelo Alexandre Pato no São Paulo?
Nasi- (risos) ainda não! Até porque cara o Jadson não tava jogando porra nenhuma (risos)

(Matéria realizada em 2014 durante a passagem da banda em Guarapuava PR)

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