Dizem
que sexta feira 13 é um dia de azar, para mim, no entanto, foi um
dia de muita sorte. Tive a sorte de presenciar o show do Ira! por
Guarapuava. A lendária banda, como bem se sabe, retornou aos palcos
depois de um hiato de sete anos. Desde que soube que eles estariam
por aqui pensei em entrevistá-los.
Não somente porque a o Ira! é
uma banda importante no cenário nacional, mas porque
particularmente, ele é uma das minhas bandas preferidas, o que
tornou a situação ainda mais especial. Bem, o único porém foi o
tempo curto para entrevista, o que fez com que poucas perguntas
pudessem ser feitas. Ainda assim, a entrevista foi pra lá de válida.
Pra começar Nasi foi extremamente receptivo o que demonstra o
respeito de um artista que com seus fãs. Poderia discorrer sobre o
desempenho do show, que diga-se de passagem foi excelente, mostrando
sim, que “a banda ainda tem muita lenha para queimar”, para
reafirmar as palavras do Nasi. Mas sem mais delongas vamos ao papo.
Depois
do período de hiato da banda, como tem sido esse retorno aos palcos
do Ira! e a recepção do público nas cidade em que a turnê tem
passado?
Nasi-
Tem sido bastante emocionante, hoje você mesmo pode conferir.
Estamos fazendo um show tocando muitos Lados B, então isso mostra
que tem uma geração de fãs do Ira! garotos, que conhecem essas
músicas dos primeiros discos do Ira!, isso com certeza tem haver com
o poder que a internet tem. Se por um lado a internet complicou a
relação entre o artista, o compositor e o consumidor, por outro
lado propiciou coisas como essa né? Garotos hoje estão descobrindo
o Ira!, estão descobrindo Led Zeppelin, descobrindo Sex Pistols.
Coisas essas que se dependessem dos canais de música, das rádios,
eles jamais saberiam que existem. Então, eu acho que isso está
refletindo muito na nossa volta e uma coisa eu te falo, claro que a
gente só voltou por dois motivos, três motivos! Porque a gente
sentiu que ainda tínhamos lenha na nossa fogueira, porque nosso
público pediu e porque a gente se determinou a fazer um show ainda
melhor do que era o show do Ira!. Uma coisa eu te digo, esperávamos
até uma coisa menor, não tanta procura de show como está tendo.
Nós estamos em um momento do país em que existe uma certa crise
econômica e o rock não tá muito bem na fita em termos de mídia.
No entanto, nossa agenda tá alucinada, o que é bom porque sem
modéstia nenhuma eu te digo, nós fazemos um puta show de rock. É
isso que a gente quer passar para os garotos que estão sonhando em
ter uma banda de rock, que ainda existe magia em ter uma banda de
rock, que os grooves de uma bateria, as distorções de uma guitarra
ainda podem contagiar.
Hoje
em dia muitas bandas de rock no Brasil não conseguem sair do
underground e quando conseguem ficam reféns da indústria. O que
você acha que está acontecendo hoje em dia seria um problema das
rádios? do próprio mercado musical?
Nasi-
Olha nos vivemos momentos diferentes né?O Ira! se mantendo fiel aos
seus princípios, teve momentos de sucesso muito grandes. Nós
fizemos um projeto como o acústico MTV que pra muitos foi um projeto
comercial, mas nós fizemos a nossa maneira, uma maneira musicalmente
muito bem composta, muito bem trabalhada. Não fizemos um acústico
só por fazer um acústico. O Ira! teve uma música em uma novela em
1986 (Flores em você) nós fizemos um arranjo sofisticado. O Ira! é
um elo perdido entre o alternativo e o mainstream. A gente continua
como uma banda que para o mundo alternativo é mainstream e para o
mundo mainstream é alternativo. Eu não sei, por exemplo, como
funcionária o Ira! em um festival de verão de Salvador, Abertura da
copa, entendeu? (risos) Cara, se eu tivesse essa solução eu estaria
montando minha própria gravadora tipo Subpop (risos) então eu acho
que os garotos tem que fazer música, montar suas bandas que uma hora
o jogo vira.
Falando
um pouco sobre discografia e influências. Anos atrás vocês quase
puderam trabalhar com o Andy Gill (fundador do grupo britânico Gang
of Four), além disso, na turnê vocês estão tocando músicas do
álbum “Psicoacústica” eu acho que esse disco é o “Sandinista”
(álbum da britânica The Clash) do Ira! Você concorda?
Nasi-
É uma excelente comparação! Ainda mais eu que sou fã do Clash,
porque é o disco experimental deles né? Depois do grande sucesso
deles que foi o “London Calling”. Agora essa questão do Andy
Gill é o seguinte cara, ele anda namorando aqui no Brasil, ele é
muito amigo do Thomas Papa músico que tocou comigo e com o Edgard.
Ele teve aqui naquele evento do Legião Urbana com Wagner Moura, e
já chegaram informações pra gente que poderíamos ter ele como
produtor, seria uma coisa incrível, todos nós somos fãs. Talvez
hoje em dia seja algo que o fã do Ira! não entende, mas antes da
gente gravar disco o Gang of Four era a nossa grande influência ao
lado do Clash né? Mas uma coisa que a gente não quer é colocar o
carro na frente dos bois, o próximo disco do Ira! depois dessa
parada, dessa mudança de formação, tem que ser um disco muito bom,
assim como vocês estão vendo no show hoje, “Nossa o Ira! voltou e
voltou o melhor”, tem que no disco ser assim também. Então nossa
primeira preocupação é que essas músicas surjam e aí quem sabe
o Andy Gill, dependendo da característica dessas músicas, seria um
nome que pra gente seria muito legal mesmo.
Arrependido
da troca do Jadson pelo Alexandre Pato no São Paulo?
Nasi-
(risos) ainda não! Até porque cara o Jadson não tava jogando porra
nenhuma (risos)
(Matéria realizada em 2014 durante a passagem da banda em Guarapuava PR)

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