quarta-feira, 21 de março de 2018

Kraftwerk os arquitetos da música eletrônica



Na ultima semana o acidente na usina nuclear de Chernobyl localizada na cidade de Prypiat – Ucrânia completou 28 anos. Fukushima no Japão também teve um terrível acidente causado por um tsunami em 2012 foi o pior desastre nuclear pós Chernobyl. Agora o leitor se pergunta: O que isso tem haver com o título dessa coluna e com música? Explico. 

Se quase nenhum grupo de rock tocou nesses temas tão delicados ao longo dos últimos 28 anos a tarefa foi feita com maestria por um quarteto alemão que pode soar esquisito á primeira vista, porém quando se descobre que eles são arquitetos da música da eletrônica, algo como os Beatles dos sintetizadores, os pais da música eletrônica a coisa toda faz sentido ao se ouvir Kraftwerk (usina de força em alemão)

Formado em 1970 na cidade Alemã de Dusseldorf por: Ralf Hütter, Florian Schneider, Wolfgang Flür e Karl Bartos o quarteto produzia sua própria tecnologia criando instrumentos eletrônicos em uma época em que tudo era primitivo nesse sentido. Se o New Order ajudou a popularizar o estilo as discotecas da Inglaterra dos anos 80 criaram o Techno e foi graças ao Kraftwerk que tudo isso foi possível. Lembrando que nesse texto estamos falando da música eletrônica séria aquela feita por quem entende da coisa e sabe muito bem o que está fazendo, esqueça David Guetta (um dos maiores enganadores dos últimos tempos) e a música eletrônica descartável.

Como eu escrevi no início desse texto Kraftwek consegue tocar em assuntos de pós-guerra, vida urbana, trânsito e toda angustia de segunda metade do século XX em sua música. Um exemplo disso é a espetacular “Radioactivity” (veja o vídeo no final do texto) que trata de usinas nucleares, cientistas e temor do futuro como no refrão “Está no fim pra mim e pra você” é de arrepiar! E mais incrível é que isso pode perfeitamente tocar em uma balada. infelizmente em uma cena eletrônica aonde os DJ’s são cada vez menos DJ’s, ousam pouco e o público não se preocupa em garimpar, isso acaba se tornando raridade.

O que faz o Kraktwerk tão especial e diferente? Os quatro membros se apresentam em pé voltados para o público com sintetizadores e computadores fazendo tudo ao vivo, um telão ao fundo passa imagens que contrastam com as suas letras. A experiência é fantástica, os quatro fazem tudo com aquela frieza alemã sem se quer dar um sorriso, mas isso não estraga o clima, pelo contrário é a marca registrada deste quarteto fantástico da música eletrônica. Kraftwerk é muito mais que música de robô, reclamação comum de quem ouve pela primeira vez. Se você é como eu e adora o diferente, vai gostar com toda certeza, fica aqui a dica, dê uma chance ao eletrônico.

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