No
final do ano passado, um burburinho muito forte estourou na internet,
sobretudo em sites e blogs dedicados a cinema. Tratava-se da estreia
do filme argentino “Relatos Selvages”. Li muitas críticas e
comentários exaltando a produção, porém não pude assistir, já
que poucos cinemas no Brasil exibiram a produção (que dirá então
em Guarapuava). Tive que apelar para o “cine torrent” e só pude
assisti-lo uma semana antes do Oscar. Fiquei estarrecido!
O filme era
realmente espetacular, um roteiro inovador e criativo, uma fotográfia
interessante, trilha sonora que ia dos anos 80 ao pop dançante além
do sempre competente elenco argentino destando como sempre Ricardo
Darín.
Relatos
Selvagens conseguiu sucesso de crítica e público na Argentina, foi
o filme mais visto em 2014, vendeu 3,4 milhões de ingressos em um
país que tem uma população cinco vezes menor que a do Brasil. Além
disso foi junto com “Titanic” o único filme a superar a marca de
3 milhões de espectadores. Esse é só mais um exemplo de uma ótima
produção argentina. Na média, acho os filmes hermanos mais bem
escritos e acabados que o nosso, dos que mais me agradaram destaco
com louvor: “Medianeiras: Buenos Aires na era do amor digital, O
Médico Alemão, Elefante Branco, O segredo de seus olhos Um Conto
Chinês e claro, Relatos Selvagens.” Cada filme citado aborda uma
tematica diferente e aí que entra a diferença revoltante para o
cinema brasileiro.
No
ano de 2013 por exemplo as produção brasileiras mais vistas nos
cinemas brasileiros foram financiadas ou pela Globo Filmes ou via a
esquizofrenica Lei Rouanet (isso ainda vai ter tema dessa coluna).
Dos dez filmes 8 eram comédias horríveis como: “Minha Mãe é uma
Peça”, com Paulo Gustavo, “Meu Passado me Condena”, com Fábio
Porchat, e “De Pernas Pro Ar 2”, com Ingrid Guimarães. O
restante filmes de grife Legião Urbana: “Somos Tão Jovens” e
“Faroeste Caboclo”. Não tem nem como comparar!
Ano
passando eu tratei no meu trabalho de conclusão de curso sobre o
cinema brasileiro da década 70 e pude notar que naquele período o
Brasil vivia um período muito fertil e criativo, mesmo com todas as
dificuldades impostas pelo regime militar, mas parece que isso foi se
perdendo quando o assunto é cinema comercial. Da época pós
“Central do Brasil” os únicos filmes brasileiros que foram
sucesso de público e crítica tal qual “Relatos Selvagens” foram
“Cidade de Deus” e “Tropa de Elite” bons filmes que esbarram
em outra coisa que me irrita no cinema brasileiro, o excesso de
narrativas. Sempre tem que ter um narrador e nunca a trama corre
solta, são raros os filmes nacionais sem o personagem central
narrado os acontecimentos.
Relatos
Selvagens não é um filme comercial e nem foi feito pra ser, assim
como boa parte dos filmes argentinos, acontece que lá, a população
tem o hábito de abraçar bons filmes e reconhecer bons trabalhos,
prova disso é o sucesso que citei no ínicio. Obvio que fica difícil
fazer cinema de qualidade no Brasil sem grandes financiamentos, e
quando isso acontece raramente vemos comentários. Semana passada o
jornal New York Times deu quase meia página para o filme brasileiro
“O Lobo Atrás de Porta” de Fernando Coimbra, pergunto, o que a
imprensa brasileira falou do filme? Qual o destaque dado? NENHUM!
Ano
passado Vicente Ferraz concluiu o longa “Estrada 47” que deve ter
estreia em maio, o filme aborda a história dos soldados brasileiros
na II Guerra Mundial, o que foi comentado sobre essa produção? Só
destaca-se aqui filmes com grandes patrocinios e recehados de grandes
nomes ou comediantes de meia tigela.
Se
a imprensa (leia-se Globo e afins) só apoiam seus próprios filmes e
os cinemas são exibem filmes hollywoodianos
na sua maioria, acaba que vemos apenas comédias estilo Zorra Total
em que o maior destaque é o Leandro Hassun caíndo pelado em uma
píscina matando o cinema de rir (ha ha!). O público tem sua culpa,
tente falar de um filme que não seja ganhador do Oscar, ninguém vai
nem te ouvir, ao menos espero que se você chegou até aqui nesse
texto reflita e pense: vale a pena mesmo assistir só ganhadores de
Oscar’s quando aqui d lado se faz um filme muito mais criativo e
com tanta qualidade?

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