quarta-feira, 21 de março de 2018

Quando o assunto é cinema perdemos de goleada para Argentina




No final do ano passado, um burburinho muito forte estourou na internet, sobretudo em sites e blogs dedicados a cinema. Tratava-se da estreia do filme argentino “Relatos Selvages”. Li muitas críticas e comentários exaltando a produção, porém não pude assistir, já que poucos cinemas no Brasil exibiram a produção (que dirá então em Guarapuava). Tive que apelar para o “cine torrent” e só pude assisti-lo uma semana antes do Oscar. Fiquei estarrecido! 

O filme era realmente espetacular, um roteiro inovador e criativo, uma fotográfia interessante, trilha sonora que ia dos anos 80 ao pop dançante além do sempre competente elenco argentino destando como sempre Ricardo Darín.

Relatos Selvagens conseguiu sucesso de crítica e público na Argentina, foi o filme mais visto em 2014, vendeu 3,4 milhões de ingressos em um país que tem uma população cinco vezes menor que a do Brasil. Além disso foi junto com “Titanic” o único filme a superar a marca de 3 milhões de espectadores. Esse é só mais um exemplo de uma ótima produção argentina. Na média, acho os filmes hermanos mais bem escritos e acabados que o nosso, dos que mais me agradaram destaco com louvor: “Medianeiras: Buenos Aires na era do amor digital, O Médico Alemão, Elefante Branco, O segredo de seus olhos Um Conto Chinês e claro, Relatos Selvagens.” Cada filme citado aborda uma tematica diferente e aí que entra a diferença revoltante para o cinema brasileiro.

No ano de 2013 por exemplo as produção brasileiras mais vistas nos cinemas brasileiros foram financiadas ou pela Globo Filmes ou via a esquizofrenica Lei Rouanet (isso ainda vai ter tema dessa coluna). Dos dez filmes 8 eram comédias horríveis como: “Minha Mãe é uma Peça”, com Paulo Gustavo, “Meu Passado me Condena”, com Fábio Porchat, e “De Pernas Pro Ar 2”, com Ingrid Guimarães. O restante filmes de grife Legião Urbana: “Somos Tão Jovens” e “Faroeste Caboclo”. Não tem nem como comparar!

Ano passando eu tratei no meu trabalho de conclusão de curso sobre o cinema brasileiro da década 70 e pude notar que naquele período o Brasil vivia um período muito fertil e criativo, mesmo com todas as dificuldades impostas pelo regime militar, mas parece que isso foi se perdendo quando o assunto é cinema comercial. Da época pós “Central do Brasil” os únicos filmes brasileiros que foram sucesso de público e crítica tal qual “Relatos Selvagens” foram “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite” bons filmes que esbarram em outra coisa que me irrita no cinema brasileiro, o excesso de narrativas. Sempre tem que ter um narrador e nunca a trama corre solta, são raros os filmes nacionais sem o personagem central narrado os acontecimentos.

Relatos Selvagens não é um filme comercial e nem foi feito pra ser, assim como boa parte dos filmes argentinos, acontece que lá, a população tem o hábito de abraçar bons filmes e reconhecer bons trabalhos, prova disso é o sucesso que citei no ínicio. Obvio que fica difícil fazer cinema de qualidade no Brasil sem grandes financiamentos, e quando isso acontece raramente vemos comentários. Semana passada o jornal New York Times deu quase meia página para o filme brasileiro “O Lobo Atrás de Porta” de Fernando Coimbra, pergunto, o que a imprensa brasileira falou do filme? Qual o destaque dado? NENHUM! 

Ano passado Vicente Ferraz concluiu o longa “Estrada 47” que deve ter estreia em maio, o filme aborda a história dos soldados brasileiros na II Guerra Mundial, o que foi comentado sobre essa produção? Só destaca-se aqui filmes com grandes patrocinios e recehados de grandes nomes ou comediantes de meia tigela.

Se a imprensa (leia-se Globo e afins) só apoiam seus próprios filmes e os cinemas são exibem filmes hollywoodianos na sua maioria, acaba que vemos apenas comédias estilo Zorra Total em que o maior destaque é o Leandro Hassun caíndo pelado em uma píscina matando o cinema de rir (ha ha!). O público tem sua culpa, tente falar de um filme que não seja ganhador do Oscar, ninguém vai nem te ouvir, ao menos espero que se você chegou até aqui nesse texto reflita e pense: vale a pena mesmo assistir só ganhadores de Oscar’s quando aqui d lado se faz um filme muito mais criativo e com tanta qualidade?

Nenhum comentário:

Postar um comentário