Ao
ler o título desta coluna o leitor provavelmente responde: Hoje
William, agora pouco, antes de pegar o jornal, ou a poucos instantes
enquanto dirigia ou enquanto olhava as atualizações do facebook.
Corrijo então a pergunta. Como você ouve música? Pense
detalhadamente e faça uma reflexão se realmente você presta
atenção no que está ouvindo e se simplesmente aproveita cada
detalhe daquilo que está escutando, ou age no automático só pra
ter um “barulho” enquanto vê seus e-mails e redes sociais.
Isso
pode soar estranho, porém, acredito que tem muito haver com as
mudanças no formato musical que ocorreram na última década. Se não
vejamos. Até a metade da década de 90 as pessoas compravam um LP,
colocavam em suas vitrolas e ao invés de verem o facebook, observavam
cada detalhe, da capa do disco, ficha técnica, letras e fotos do
encarte, era uma experiência musical completa! Não é atoa que
muitos estão voltando suas atenções para o bom e velho vinil. O
mercado norte-americano em 2014 teve um aumento de 49% na venda de
discos de vinil. No Brasil a Polysom (única fábrica de vinil da
América Latina) tem vendido seus LP’s por preços absurdos o que
dificulta pra quem é entusiasta, mas torna impossível ter
lançamentos recentes dos seus artistas nacionais prediletos.
Voltando
ao assunto, quando eu era mais novo, em uma era pré-internet, tinha
o habito de gravar fitas k7, era comum convidar amigos para vir em
casa apenas ouvir música e jogar conversa fora, sempre um trazia uma
novidade que gravou, ou comentava de alguma banda nova que descobriu
em uma revista. Ou então, quem é da geração clássica da MTV vai
se recordar da ansiedade de esperar passar aquele clipe pra gravar em
VHS. O tempo passou, o CD ficou obsoleto e a geração MP3 chegou,
ouvir música pelo computador, IPOD e Iphone virou a nova forma de se
escutar e consumir música.
Deixando
o saudosismo de lado, chego nos dias atuais, as vezes algumas pessoas
se surpreendem ao ver tantas bandas ruins fazendo sucesso, tantos
cantores sem talento que são um rosto bonito a lotar casas noturnas
por seus dotes físicos e não qualidade artística.
Além
das mudanças do mercado fonográfico, a maneira de se ouvir música
é uma das culpadas. É comum as pessoas chegarem do trabalho,
faculdade, rua e ligar o notebook para ouvir música sem prestar
atenção naquilo enquanto navega-se nas redes sociais, muitas vezes
o ouvinte nem lembra do que escutou minutos antes.
Ano passado o
cantor britânico Morrissey ao ser questionado pela revista NME
sobre as razões da música pop britânica ser tão ruim atualmente,
ele respondeu “Perguntei a uma vendedora de uma loja como ela
aguenta ouvir aquele tipo de música o dia todo, ela respondeu, nem
presto atenção”. Será que temos prestado atenção no que
ouvimos em casa por opção própria?
Quer
um exemplo? O sertanejo universitário faz sucesso porque é
destinado a esse tipo de pessoa, justamente a que não presta atenção
no que ouve, refrão fácil e grudento, e práticamente sem
introdução, reparem como as musicas atuais não tem um inicio
marcante, que cria um clima. O sertanejo universitário é destinado
pra quem justamente não gosta de música.
Por
fim, nesse final de semana faça um favor a você mesmo, chame um
amigo ou amiga e simplesmente ouça música conversando, falando
sobre os detalhes, aposto que você vai recuperar um pouco do prazer
de simplesmente escutar música.
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