quarta-feira, 21 de março de 2018

Música caipira para inciantes




O atual cenário do sertanejo universitário é desolador, todos sabemos, musicas com letras vázias, arranjos sofriveis e que muitas só fazem sucesso devido aos predicados fisicos dos interpretes ou mesmo porque artistas tocam em casas noturnas aonde ninguém presta atenção no que está ouvindo, só estão lá por um único motivo, “pegação”. Se você gosta desse tipo de música e ambiente, paciência! Se não gosta, esse texto é pra você.

Minha mãe sempre comenta que minha avó era fã de Tônico & Tinoco, pela manhã, o rádio AM fazia companhia na cozinha com o chimarrão e o fogão a lenha. Hoje quem faz companhia na maioria dos lares é o celular, ao invés da cuia se segura o aparelho, a música matutina está cada vez mais rara. Falo isso, porque no universo da moda de viola, música caipira ou pagodes o cenário do ouvinte era justamente o do fogão a lenha na cozinha da casa. Antes de falar da moda de viola é preciso dizer ao leitor esquecer completamente o sertanejo universitário e o sertanejo pós era Collor. 

Vamos nos focar de agora em diante em um tempo em que duas violas ajudavam a contar uma história, algumas vezes trágicas, outras divertidas, tal qual se fazia no folk norte-americano.
A nossa moda de viola é a mesma que Bob Dylan fazia no folk contava uma história, isso guardado as devidas proporções de cada estilo.

Pra começar, conforme citei, os reis nomes desse estilo obviamente são Tônico & Tinoco que ao narrar a desventura de Chico Mineiro, Carro de boi, Tristeza do Jeca, Moreninha Linda, entre outras vieram a influçenciar muita gente e até hoje alegram os amantes das modas. Entretanto, essa não é a minha dupla predileta de moda de viola. 

São admirador da dupla Tião Carreiro & Pardinho que com seus animados pagodes alegram o dia de qualquer um, como não sorrir ouvindo “Pagode em Brasilia” com aquela voz potente e a viola que arrepia? “Empreitada perigosa” narra a época em que o homem pra casar com a mocinha tinha que “roubar” ela de casa, como não gostar? Outros nomes merecem nosso respeito e atenção, sugiro que o leitor procure por: Zilo & Zilo, Leo Canhoto & Robertinho, Jaco e Jacozinho, Pena Branca & Xavantinho. Alias, essa ultima dupla tem uma das mais lindas musicas de toda a música brasileira, a emocionante e linda “cio da terra” e vou além a canção “Cuitelinho” entraria fácil em uma lista das melhores musicas já feitas por aqui, esqueça Chico Buarque, Roberto Carlos e Caetano, a simplicidade vence.

Por fim, talvez o leitor goste de Almir Sater e Renato Teixeira. Vamos dar o devido valor a esses nomes em vida, pra artistas caipiras não existe coisa mais linda que o respeito em vida. Sei que esse texto talvez não esteja à altura de tais nomes, eu precisaria de no mínimo mais umas 3 edições dessa coluna pra poder escrever um especial sobre o estilo, mas fica aqui a minha homenagem e a minha dica ao leitor, ouvir as histórias musicadas de um Brasil que já não existe mais.

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