O
atual cenário do sertanejo universitário é desolador, todos
sabemos, musicas com letras vázias, arranjos sofriveis e que muitas
só fazem sucesso devido aos predicados fisicos dos interpretes ou
mesmo porque artistas tocam em casas noturnas aonde ninguém presta
atenção no que está ouvindo, só estão lá por um único motivo,
“pegação”. Se você gosta desse tipo de música e ambiente,
paciência! Se não gosta, esse texto é pra você.
Minha
mãe sempre comenta que minha avó era fã de Tônico & Tinoco,
pela manhã, o rádio AM fazia companhia na cozinha com o chimarrão
e o fogão a lenha. Hoje quem faz companhia na maioria dos lares é o
celular, ao invés da cuia se segura o aparelho, a música matutina
está cada vez mais rara. Falo isso, porque no universo da moda de
viola, música caipira ou pagodes o cenário do ouvinte era
justamente o do fogão a lenha na cozinha da casa. Antes de falar da
moda de viola é preciso dizer ao leitor esquecer completamente o
sertanejo universitário e o sertanejo pós era Collor.
Vamos nos
focar de agora em diante em um tempo em que duas violas ajudavam a
contar uma história, algumas vezes trágicas, outras divertidas, tal
qual se fazia no folk norte-americano.
A
nossa moda de viola é a mesma que Bob Dylan fazia no folk contava
uma história, isso guardado as devidas proporções de cada estilo.
Pra
começar, conforme citei, os reis nomes desse estilo obviamente são
Tônico & Tinoco que ao narrar a desventura de Chico Mineiro,
Carro de boi, Tristeza do Jeca, Moreninha Linda, entre outras vieram
a influçenciar muita gente e até hoje alegram os amantes das
modas. Entretanto, essa não é a minha dupla predileta de moda de
viola.
São admirador da dupla Tião Carreiro & Pardinho que com
seus animados pagodes alegram o dia de qualquer um, como não sorrir
ouvindo “Pagode em Brasilia” com aquela voz potente e a viola que
arrepia? “Empreitada perigosa” narra a época em que o homem pra
casar com a mocinha tinha que “roubar” ela de casa, como não
gostar? Outros nomes merecem nosso respeito e atenção, sugiro que o
leitor procure por: Zilo & Zilo, Leo Canhoto & Robertinho,
Jaco e Jacozinho, Pena Branca & Xavantinho. Alias, essa ultima
dupla tem uma das mais lindas musicas de toda a música brasileira, a
emocionante e linda “cio da terra” e vou além a canção
“Cuitelinho” entraria fácil em uma lista das melhores musicas já
feitas por aqui, esqueça Chico Buarque, Roberto Carlos e Caetano, a
simplicidade vence.
Por
fim, talvez o leitor goste de Almir Sater e Renato Teixeira. Vamos
dar o devido valor a esses nomes em vida, pra artistas caipiras não
existe coisa mais linda que o respeito em vida. Sei que esse texto
talvez não esteja à altura de tais nomes, eu precisaria de no
mínimo mais umas 3 edições dessa coluna pra poder escrever um
especial sobre o estilo, mas fica aqui a minha homenagem e a minha
dica ao leitor, ouvir as histórias musicadas de um Brasil que já
não existe mais.

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