Na
última segunda feira 12 de maio foi lançado o novo álbum dos Titãs
intitulado “Nheengatu” contendo 14 faixas em que a banda bota o
dedo na ferida dos assuntos polêmicos e sensíveis como “Militares,
Drogas, Pedofilia, violência, minorias”.
Confesso
que eu estava bem descrente quanto à sonoridade que viria do novo
trabalho dos caras, tendo em vista o histórico horroroso dos últimos
discos “Como estão vocês?” e o pavoroso “Sacos Plásticos”.
Com uma formação nova contando agora com o baterista convidado
Mario Fabre substituindo Charles Gavin o disco além de ser uma
crônica do atual pretende provar pro seu público que a banda ainda
tem lenha pra queimar podendo sim fazer um bom disco pesado.
O
estranho título do disco “Nheengatu” significa “Língua Geral”
cuja qual os jesuítas utilizavam para se comunicar com os indígenas
no Brasil e os colonizadores portugueses. Dito isso, logo de cara é
possível entender que a confusão, a desordem e o Brasil como um
todo; vai ser o tema central do álbum, o que acontece logo ao
ouvirmos as primeiras faixas.
O
disco abre com “Fardado” uma espécie de “Policia parte II”
em que a banda novamente ataca os militares do Brasil com um pesado e
pontual refrão: “Você
também é explorado, fardado!”.
Ao ouvir essa faixa somos transportados à fase começo dos anos 90
da banda em que lançaram os pesados “Tudo ao mesmo tempo agora”
e “Titanomaquia” álbuns mais pesados da discografia da banda.
Em
seguida o Brasil é cantado em “Mensageiro da desgraça” (uma das
que mais me agradaram no disco) Paulo Miklos anuncia o cansaço das
mazelas brasileiras, fome crack, miséria e cachaça são cantadas
com perfeição, destaque para a introdução em que Mario Fabre
mostra que é um ótimo baterista não devendo nada a Charles Gavin.
A
divertida “República das bananas” feita em parceria com o
cartunista Angeli aborda vários nomes comuns brasileiros e o
cotidiano pensamento opinativo dos mesmos
“Cadáver
sobre Cadáver” traz o retrato da morte, uma marcha do inevitável
destino de todos. “Canalha” é um cover do cantor Walter Franco,
confesso que prefiro muito mais a original principalmente a versão
ao vivo, porém, a versão dos Titãs não faz feio principalmente
pelo pesado e criativo arranjo. “Chegada ao Brasil (Terra à
vista)” fala da vinda portuguesa ao Brasil, com um arranjo pesado e
uma letra irreverente é uma das mais interessantes do disco. A
última faixa “Quem são os animais?” fala das minorias e do
livre arbítrio além das escolhas e julgamentos que todos passam no
dia-dia, essa canção fecha com chave de ouro o melhor disco dos
titãs desde o “Acústico MTV” lançado em 1997.
“Nheengatu”
não tem aquele brilho do clássico “Cabeça Dinossauro” mas
resgata o peso de outrora, a irreverência e a qualidade já que o
disco é muito bem produzido por Rafael Ramos (Los Hermanos,
Matanza, Dead Fish)., Assim sendo os Titãs conseguiram vencer o
desafio de mostrar que ainda conseguem fazer um bom disco de rock.

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