terça-feira, 20 de março de 2018

Titãs eliminam desconfianças e mostram um bom e pesado novo disco



Na última segunda feira 12 de maio foi lançado o novo álbum dos Titãs intitulado “Nheengatu” contendo 14 faixas em que a banda bota o dedo na ferida dos assuntos polêmicos e sensíveis como “Militares, Drogas, Pedofilia, violência, minorias”.

Confesso que eu estava bem descrente quanto à sonoridade que viria do novo trabalho dos caras, tendo em vista o histórico horroroso dos últimos discos “Como estão vocês?” e o pavoroso “Sacos Plásticos”. Com uma formação nova contando agora com o baterista convidado Mario Fabre substituindo Charles Gavin o disco além de ser uma crônica do atual pretende provar pro seu público que a banda ainda tem lenha pra queimar podendo sim fazer um bom disco pesado.

O estranho título do disco “Nheengatu” significa “Língua Geral” cuja qual os jesuítas utilizavam para se comunicar com os indígenas no Brasil e os colonizadores portugueses. Dito isso, logo de cara é possível entender que a confusão, a desordem e o Brasil como um todo; vai ser o tema central do álbum, o que acontece logo ao ouvirmos as primeiras faixas.

O disco abre com “Fardado” uma espécie de “Policia parte II” em que a banda novamente ataca os militares do Brasil com um pesado e pontual refrão: “Você também é explorado, fardado!”. Ao ouvir essa faixa somos transportados à fase começo dos anos 90 da banda em que lançaram os pesados “Tudo ao mesmo tempo agora” e “Titanomaquia” álbuns mais pesados da discografia da banda.

Em seguida o Brasil é cantado em “Mensageiro da desgraça” (uma das que mais me agradaram no disco) Paulo Miklos anuncia o cansaço das mazelas brasileiras, fome crack, miséria e cachaça são cantadas com perfeição, destaque para a introdução em que Mario Fabre mostra que é um ótimo baterista não devendo nada a Charles Gavin.

A divertida “República das bananas” feita em parceria com o cartunista Angeli aborda vários nomes comuns brasileiros e o cotidiano pensamento opinativo dos mesmos
Cadáver sobre Cadáver” traz o retrato da morte, uma marcha do inevitável destino de todos. “Canalha” é um cover do cantor Walter Franco, confesso que prefiro muito mais a original principalmente a versão ao vivo, porém, a versão dos Titãs não faz feio principalmente pelo pesado e criativo arranjo. “Chegada ao Brasil (Terra à vista)” fala da vinda portuguesa ao Brasil, com um arranjo pesado e uma letra irreverente é uma das mais interessantes do disco. A última faixa “Quem são os animais?” fala das minorias e do livre arbítrio além das escolhas e julgamentos que todos passam no dia-dia, essa canção fecha com chave de ouro o melhor disco dos titãs desde o “Acústico MTV” lançado em 1997.

Nheengatu” não tem aquele brilho do clássico “Cabeça Dinossauro” mas resgata o peso de outrora, a irreverência e a qualidade já que o disco é muito bem produzido por Rafael Ramos (Los Hermanos, Matanza, Dead Fish)., Assim sendo os Titãs conseguiram vencer o desafio de mostrar que ainda conseguem fazer um bom disco de rock.

Nenhum comentário:

Postar um comentário