quarta-feira, 21 de março de 2018

Pequeno manual para quem não conhece “Os Mutantes”



O ano era 1968, os Beatles tinham acabado de lançar o ousado White Album, Rolling Stones emplacavam o sensacional Sympathy For The Devil. Do outro lado do mundo a Guerra do Vietnã com a primeira batalha em Saigon e duraria mais um bom tempo. Entretanto, dois anos antes em 1966 aqui no Brasil dois anos depois do golpe militar de 1964 uma novidade surgia. Dois irmãos: Arnaldo Batista (baixo teclado, vocais), Sergio Dias (guitarra, baixo vocais),se juntariam a Rita Lee (Vocais) e posteriormente, Dinho Leme (bateria) deram inicio a maior, mais cultuada e inventiva banda brasileira de todos os tempos, Os Mutantes!

Nomes como Sean Lennon (o filho do homem), Kurt Cobain, (Nirvana), David Byrne (Talking Heads) entre tantos outros, colocam os Mutantes lado a lado com dinossauros do rock mundial como os próprios Beatles. Confesso que eu nunca fui um fã de carteirinha do quarteto de Liverpool, tão pouco de Mutantes, porém, é inegável a qualidade de ambos. Não me lembro quando comecei a ouvir Mutantes, só sei que foi um choque.


A primeira vez que escutei com atenção notei uma série de novidades que pra aquela época eram ousadia pura, a guitarra suja e distorcida, a flauta de Rita Lee, as letras beirando o non-sense, o uso de instrumentos diferentes pra época teremim, enfim. Tudo isso durante a década de 1960, é de se arrepiar! A Lindíssima Rita Lee que durante muito tempo foi esposa do genial Arnaldo Batista dava um toque feminino com sua beleza que coadunava com seu talento, Arnaldo seu marido na época era o cabeça da banda, e Sérgio sempre inovando na guitarra e pasmem, todos não tinham nem 25 anos. Se hoje me dia o rock brasileiro é inchado de bandas covers , Os Mutantes não tinha medo de experimentar, alias o experimentalismo sempre foi uma das marcas da banda.

Nesse primeiro texto sobre o grupo, não entrarei em detalhes pessoais da banda, mas focarei o primeiro álbum que considero fundamental para os marinheiros de primeira viagem. Para isso, temos que retornar ao ano de 1968 quando o grupo lançou seu primeiro nome, o homônimo Os Mutantes pra quem esteve em Júpiter nos últimos anos ou simplesmente não teve a oportunidade de ouvir, esse é o momento. Esse primeiro disco é repleto de clássicos! 

Ouça INTEIRO, pare tudo que está fazendo e simplesmente contemple cada detalhe. Pra inicio de conversa, o álbum já se inicia com a maravilhosa composição de Gil e Caetano Panis et Circenses (O final da canção com uma família jantando é impagável!) , logo em seguida todo o swing de A minha menina. Nesse momento você já não vai mais conseguir ficar parado e certamente estará com um grande sorriso. Uma das minhas preferidas é a faixa Baby, leve com uma deliciosa letra e cheia de harmonia, é a faixa que mais exprime a música brasileira dos 60. A parceria entre Os Mutantes, Gil e Caetano embala o disco que é um dos clássicos não só do rock nacional e internacional, mas também da tropicália, os dos movimentos mais importantes da música brasileira.

Confesso que algumas faixas como Adeus Maria Fulo e Trem Fantasma não me empolgam muito, mas pra você que está chegando agora no universo dos Mutantes, recomendo que comece ouvido o disco por completo. Bão esqueça de comentar o que achou, e se você já conhece, nunca é tarde pra ouvir novamente!

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