O ano era 1968, os Beatles tinham acabado de lançar o ousado White
Album, Rolling Stones emplacavam o sensacional Sympathy For
The Devil. Do outro lado do mundo a Guerra do Vietnã com a
primeira batalha em Saigon e duraria mais um bom tempo. Entretanto,
dois anos antes em 1966 aqui no Brasil dois anos depois do golpe
militar de 1964 uma novidade surgia. Dois irmãos: Arnaldo Batista
(baixo teclado, vocais), Sergio Dias (guitarra, baixo vocais),se
juntariam a Rita Lee (Vocais) e posteriormente, Dinho Leme (bateria)
deram inicio a maior, mais cultuada e inventiva banda brasileira de
todos os tempos, Os Mutantes!
Nomes como Sean Lennon (o filho do homem), Kurt Cobain, (Nirvana),
David Byrne (Talking Heads) entre tantos outros, colocam os Mutantes
lado a lado com dinossauros do rock mundial como os próprios
Beatles. Confesso que eu nunca fui um fã de carteirinha do quarteto
de Liverpool, tão pouco de Mutantes, porém, é inegável a
qualidade de ambos. Não me lembro quando comecei a ouvir Mutantes,
só sei que foi um choque.
A primeira vez que escutei com atenção
notei uma série de novidades que pra aquela época eram ousadia
pura, a guitarra suja e distorcida, a flauta de Rita Lee, as letras
beirando o non-sense, o uso de instrumentos diferentes pra
época teremim, enfim. Tudo isso durante a década de 1960, é de se
arrepiar! A Lindíssima Rita Lee que durante muito tempo foi esposa
do genial Arnaldo Batista dava um toque feminino com sua beleza que
coadunava com seu talento, Arnaldo seu marido na época era o cabeça
da banda, e Sérgio sempre inovando na guitarra e pasmem, todos não
tinham nem 25 anos. Se hoje me dia o rock brasileiro é inchado de
bandas covers , Os Mutantes não tinha medo de experimentar, alias o
experimentalismo sempre foi uma das marcas da banda.
Nesse primeiro texto sobre o grupo, não entrarei em detalhes
pessoais da banda, mas focarei o primeiro álbum que considero
fundamental para os marinheiros de primeira viagem. Para isso, temos
que retornar ao ano de 1968 quando o grupo lançou seu primeiro nome,
o homônimo Os Mutantes pra quem esteve em Júpiter nos
últimos anos ou simplesmente não teve a oportunidade de ouvir, esse
é o momento. Esse primeiro disco é repleto de clássicos!
Ouça
INTEIRO, pare tudo que está fazendo e simplesmente contemple cada
detalhe. Pra inicio de conversa, o álbum já se inicia com a
maravilhosa composição de Gil e Caetano Panis et Circenses (O
final da canção com uma família jantando é impagável!) , logo
em seguida todo o swing de A minha menina. Nesse momento você
já não vai mais conseguir ficar parado e certamente estará com um
grande sorriso. Uma das minhas preferidas é a faixa Baby, leve
com uma deliciosa letra e cheia de harmonia, é a faixa que mais
exprime a música brasileira dos 60. A parceria entre Os
Mutantes, Gil e Caetano embala o disco que é um dos clássicos não
só do rock nacional e internacional, mas também da tropicália, os
dos movimentos mais importantes da música brasileira.
Confesso que algumas faixas como Adeus Maria Fulo e Trem
Fantasma não me empolgam muito, mas pra você que está chegando
agora no universo dos Mutantes, recomendo que comece ouvido o disco
por completo. Bão esqueça de comentar o que achou, e se você já
conhece, nunca é tarde pra ouvir novamente!

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